quarta-feira, 20 de abril de 2011

1º Encontro de Bilíngües e Amigos Surdos de Mato Grosso de Sul

Data: 16 de Abril - Sábado - Manhã
08h – Apresentação Cultural do Coral – SEMED

8h30m – Palestrante Rita de Cassia Maestri (PR) com o tema: A importância da Lingua Materna para o Desenvolvimento Cognitivo do Surdo. Psicóloga, Especialista em Educação Especial e Tutora do Curso de Letras/Libras (UFPR).  



 RITA DE CÁSSIA MAESTRI - Linguista em Letras/LIBRAS - Especialista em Educação Especial - Tutora de Letras/LIBRAS da UFPR 
A mesma é Surda, filha de pais ouvintes. Parabeniza a APM/CEADA pela iniciativa do evento e informa que outras ações como essa vem sendo realizadas com apoio da FENEIS e MEC.
Com a palestra importância da língua materna no desenvolvimento cognitivo do surdo. Sinalizou sobre os avanços da comunidade surda que se organizam em associações, instituições, federação nacional de educação e integração dos surdos (Feneis), e com a oficialização da Libras, conforme consta na lei federal 10.436(24/04/2002) tem expandindo cursos á distancia de letras libras na UFSC com muitos professores surdos formados esse ano; universidades abrindo disciplina de letras libras respeitando o decreto 5.626/2005 , que busca garantir a inclusão social, , contados pela internet, msn , orkut , facebook , deram chances para que o surdo  com a subjetividade assumir a sua postura com a identidade , cultura , alteridade, aceitando a sim mesmo como surdo e participando na política das lutas pela diferença. Expondo a importância do 1º Encontro de Familiares e Amigos Bilíngues      de Surdos  de Mato Grosso do Sul que é o exemplo que movimenta todos os familiares, amigos dos surdos    valorizando sua língua , identidade e cultura.
Faz também uma retrospectiva histórica sobre a cultura e aquisição de linguagem do sujeito surdo. Enfatiza sobre a aquisição da Libras, como uma língua natural do surdo. 

10hMesa de Surdos:

  • Elaine Aparecida de Oliveira da Silva com o tema: Aquisição de Linguagem: Padronização da Família Bilíngüe. Acadêmica do curso de Licenciatura em Letras/Libras (UFSC – Pólo UFGD).  Coordenadora  Pedagógica do Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento as Pessoas com Surdez – CAS/SED/MS.  Filha de pais surdos, família surda. Seu marido é surdo, filho de família ouvinte. Teve três filhas e todas são ouvintes. Explica que o nascimento da 1ª filha foi um choque, pois esperava que a mesma fosse surda. No principio acreditou que deveria elaborar mecanismos de comunicação, mas depois percebeu que o auxilio da sogra, que é ouvinte, a fala da sua filha não ficaria comprometida, pois era a grande preocupação dos familiares ouvintes. Atualmente suas filhas transitam nos dois mundos: surdos e ouvintes, fazendo uso da língua sinalizada e oralizada. Umas sinalizam mais e outras menos, mas toda educação familiar, foi permeada pela língua de sinais, passamos por conflitos e alegrias como toda família. “Somos iguais, como qualquer família que educa seus filhos”.

 
  • Geizebel de Oliveira da Silva com o tema: Comunicação: desencontros dialógicos. Acadêmica de Pedagogia e Instrutora de Libras – CEADA. Surda e filha de pais ouvintes. A sua mãe descobriu aos 6 meses que tinha uma filha surda. Era moradora da área rural. Foi levada ao médico que diagnosticou a surdez como uma doença que seria curada por remédios. Tomou medicamentos, porém não houve nenhum resultado positivo para sua saúde. A mãe por conta própria suspendeu a medicação e mudou para a cidade. No centro urbano sua mãe encontrou o CEADA, onde matriculou a  filha na educação infantil e freqüentou até a 5º ano. Atualmente trabalha nessa instituição como instrutora de libras na educação infantil e como instrutora de libras para cursistas de libras promovidos pela APM/CEADA.

  • Shirley Vilhalva com o tema: Ser Surdo: Sinalizante e falante. Mestre em Linguística (UFSC). Técnica pedagógica – Projeto Índio Surdo do CAS/MS. Diretora Administrativa da FENEIS, coordenadora SAE do curso de Letras/Libras – UFSC e conselheira do CONADE. É surda  sinalizante da Língua de Sinais, com familiares surdos e ouvintes.  Nasceu com surdez severa e profunda. Explica que ser surda falante e sinalizadora implica em viver em dois mundos (ouvintes e surdos) e nem sempre ser compreendida por seus interlocutores, sejam eles ouvintes ou surdos. No inicio houve uma crise de identidade, por achar que deveria escolher a qual mundo pertencer, teve que se firmar  com apoio de terapia psicológica a aceitação como surda e depois percebeu que era necessário entender as identidades nos dois mundos, já que sempre transitou por eles, mesmo de forma intranquila  e incompreendida em muitas vezes onde ganhou o apelido de “falsa-surda”. Expõe que a aquisição de conceitos se dá serenamente  através da língua de sinais, por ser uma língua espaço visual. Acredita que o apoio da família na aquisição de uma língua é de suma importância. E que os direitos dos surdos, sejam eles parciais ou não devem ser assegurados e respeitados por toda a sociedade.

  • Glaysson Rhenner Rocha (Naviraí/MS) com o tema: A importância do bilinguismo no âmbito familiar. Pós Graduado e em Docência em Libras e Educação Especial. Graduado em Ciências Contábeis. Assistente Administrativo Escolar da Secretaria Municipal de Naviraí. Professor de Libras na Faculdade Integrada de Naviraí – FINAV e acadêmico do curso de Pedagogia. Filhos de pais ouvintes e de 12 irmãos, destes apenas dois são surdos. Atribui o surgimento da surdez pela consangüinidade de seus pais que são primos. A comunicação entre seus pais sempre foi através de gestos, nunca aprenderam a língua de sinais. Foi estudar na APAE, porque a escola comum não o aceitou. Como o tempo foi para sala de recurso, e teve uma professora que utilizava o método oralista. Conheceu a língua de sinais aos 18 anos e fez dela seu meio de comunicação. Cursou a primeira faculdade sem intérprete e teve algumas dificuldades comunicativas para compreender conceitos. Uma de suas irmãs aprendeu libras há dois anos. A comunicação no seio familiar ainda hoje é realizada através da oralidade.
  
  • Adriano de Oliveira Gianotto com o tema: Quebrando o Limite Lingüístico Familiar.  Acadêmico de Licenciatura em Pedagogia e Técnico da Divisão de Educação Especial da Secretaria de Educação Municipal – SEMED. É surdo, filho de pais ouvintes e tem um tio surdo na família. Ratifica a importância da família na estrutura do sujeito, seja ele surdo ou não. No caso de familiares com filhos surdos o apoio deve ser maior, pois é mais complexo, por envolver a aquisição de outra língua por um dos seus membros. Evitar a super proteção, pois se cria o filho para o mundo. Não adianta colocá-lo numa redoma, com certeza ele terá que conviver com pessoas e situações diferentes ao longo de suas vidas. De uma forma geral a educação de surdos não se dá de maneira tranqüila, não fazem aquisição da língua como os ouvintes e quando se deparam com a língua que os fará compreender o mundo é sempre tardiamente. Fora isso ele pertence a uma cultura que é totalmente visual. O surdo é um guerreiro por natureza, e enfrenta todos os obstáculos que surgem em sua vida e nunca desiste de lutar por seus direitos.

12h - Encerramento

Dia 16 de Abril - Sábado - Tarde
13h – Apresentação Cultural – Ministério do Silencio
13h15m - Palestrante Aline Lemos Pizzio (SC) com o tema: A importância da Família no Processo de Aquisiçao da Linguagem pelo Surdo: a questão do bilinguismo. Doutora e Mestre em Linguistica, Graduada em Letras e Fonoaudiologia, professora na UFSC. Ouvinte, usuária de libras, mãe de surdo. Explana sobre a importância da Libras na aquisição de linguagem da pessoa surda. As descobertas, indagações e toda mediação com ouvinte e surdo, dá-se através da língua de sinais. As escolas inclusivas precisam perceber que a libras é a primeira língua do surdo e a língua portuguesa é uma segunda língua, existe a necessidade de se fazer adaptações curriculares e metodológicas para que todas as informações cheguem ao surdo. Precisa-se ensinar a língua portuguesa com estratégias diferenciadas, com foco no ensino de língua estrangeira, pois como já dito, o surdo é um estrangeiro no mundo de ouvintes. Por isso os surdos têm dificuldades em aprender a língua portuguesa, pois ainda hoje o ensino se dá de maneira equivocada, já que o surdo estuda na escola de ouvintes, como metodologias para o ensino de ouvintes. A família tem papel fundamental no desenvolvimento do surdo, ao fazer o acompanhamento na escola, tendo contato direto com os professores e coordenadores do aluno surdo.
15h30m - palestrante Dirceu Mauricio Van Lonkhuijzen com o tema: Libras: cultura e lazer no Museu das Culturas Dom Bosco. Graduado com Bacharelado e Licenciatura em Geografia, Técnico em Museologia. Coordenador dos programas educativos do Museu das Culturas Dom Bosco. Agradece Shirley Vilhalva pela iniciativa de sinalizar sobre os conteúdos existentes no museu. Esse trabalho é realizado com a equipe do CAS/MS composta por instrutores e intérpretes de libras. Faz-se primeiro um estudo sobre conceitos, como por exemplo, o termo Arqueologia. Num segundo momento junto com a Equipe do CAS define-se o sinal para o termo. Esse projeto vai estender-se aos objetos arqueológicos do museu.

 
 17h - Encerramento
 
 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

1º Encontro de Familias Bilíngues e Amigos de Surdos de Mato Grosso de Sul

Data: 15 de Abril - 6ª feira - Manhã



08h – Abertura 1º Encontro de Familias Bilíngues e Amigos de Surdos de MS

08h30 – Hino Nacional Brasileiro Sinalizado pelos alunos do Coral do CEADA- sob a regência do interprete Bruno Nantes.

09h – Vice-Prefeito de Campo Grande-MS – Edil Albuquerque
Amigo e parceiro dos surdos de longa data, enfatizou a importância deste evento, não apenas para as famílias, mais para a sociedade. Edil envolveu-se na causa do surdo desde o tempo em  que era vereador instituindo o dia do surdo em Campo Grande-MS, lei esta que completou  16 anos. Muitas ações desenvolvidas pela APM CEADA recebem seu apoio:
  - Uma ação relevante foi o da Horta Escolar que recebeu apoio dos técnicos da Secretaria de desenvolvimento Agrário da qual é titular.
   - Vem mediando a discussão junto a comissão de concurso para que estes sejam  realizados em libras, oportunizando a comunicação direta com o candidato surdo. 
  - No curso de Língua Instrumental para estagiários dos CATES – Centro de Atendimento aos Turistas, promovidos pela SEDESQ , incluiu a língua de sinais para os cursistas, que já são contemplados com os idiomas de Inglês e Espanhol.
Coloca-se a disposição das pessoas surdas e da família, buscando soluções possíveis para eventuais problemas que envolvam a comunicação e a educação das pessoas surdas.



09h30 - Coordenadora de Educação Especial COESP - Profª. Ma. Vera Lucia Carbonari
Informa que em Mato Grosso do Sul nos 78  municípios existem Surdos que ainda nãos estão preparados linguisticamente, isto é, não fazem uso língua de sinais, para comunicar-se. A secretaria de Educação vem promovendo ações  que minimizem essa situação, colocando intérprete de libras para os alunos surdos matriculados na rede estadual. Salienta que a comunicação primeiro dá-se na família, é de fundamental importância que a língua de sinais seja estabelecida no seio familiar e em seguida ampliada no âmbito escolar. Coloca que o evento vem ressaltar essa importância,  parabenizando a APM-CEADA pela iniciativa.


09h50 – SEMED – Graduada em Letras e Especialista em Educação Especial 
Flavia Pieretti Cardoso
No ato representando a Professora Maria Cecilia A. Motta, Secretaria de Educação do município de Campo Grande- MS
A SEMED disponibiliza atualmente 47 intérpretes de LIBRAS em escolas Pólos no Município de Campo Grande- MS, para atendimento dos 103 alunos surdos matriculados e inseridos nas escolas, visando melhor comunicação entre surdos e ouvintes. Também, oferece no contra turno o Atendimento Educacional Especializado (AEE) nos momentos de Libras e Língua Portuguesa como segunda língua, para esse atendimento há quatro professores ouvintes e três surdos no municipio de Campo Grande-MS. Além disso, são oferecidos mensalmente formação continuada aos intérpretes e professores do AEE.
A SEMED oferece também cursos de Libras para os professores da sala de aula comum e pessoas da comunidade nos níveis básico, intermediário e avançado.
“Acreditamos na potencialidade do surdo, principalmente com apoio da família.  Através do bilingüismo tanto na família quanto na educação, dessa forma será possível favorecer a verdadeira inclusão do sujeito surdo na sociedade”. 

09h55 – Doutora em Educação, Profª. da UFSC e Presidente de FENEIS – Prof Dra. Karin  Lilian Strobel
Parabenizou a APM do CEADA, pela organização do evento e da importância da participação efetiva da família.

09h55m - Maria Maciel dos Santos - Presidente da Associação de Pais e Mestres do CEADA
Agradeceu a presença de todos os participantes e falou da importância da família estar envolvida e aprender a LIBRAS, para melhor comunicação com os seus familiares surdos. Desde o ano 2000, o seu filho Bruno Isaac, freqüenta o CEADA.

10h Palestrante Dra. em Educação, Professora da UFSC e Presidente da FENEIS - Karin Strobel - Filho Surdo: Richard Strobel
“Mãe Surda e Filho Surdo: construindo um elo afetivo e de comunicação”
A professora doutora iniciou sua fala nos informando que estava neste momento participando na qualidade de mãe de surdo, expondo suas dificuldades de comunicação durante a infância e a adolescência com sua família, pois  a mesma é filha de pais ouvintes.
Karin resolveu adotar uma criança surda, num insigt divino enquanto subia as escadas do seu apartamento. Estava num momento de realizações, iniciando o doutorado e ministrando aulas na universidade.
Ao procurar a instituição de adoção, havia uma criança surda profunda. Karin, no inicio teve dificuldades para estabelecer um elo, pois nem mesmo a palestrante sabia como ser mãe de surdo.  Morando sozinha, sua casa é adaptada: a campainha da casa ao ser tocada, acende uma luz informando ao surdo a chegada de um visitante. Essa é uma das adaptações que existem na casa.
Em função da vida agitada, como de qualquer trabalhador, Karin  teve que colocar o Richard na creche e sua adaptação foi quase tranqüila, visto que tinha alguns hábitos como chamar atenção ao acender e apagar a luz, pois essa atitude faz parte da cultura surda, que em ambientes com muita gente, no caso com muitas crianças o jeito para ser “ouvido” era apagar e acender a luz. Na escola recebe ensino como os demais alunos.
A palestrante depois de estabelecer o vinculo entre mãe e filho resolveu elaborar um dicionário de vida diária com Richard, montando um Power point que é alimentado sempre com atividades da vida diária e novidades. Esse dicionário contextualizado vai para a creche para que a professora socialize com os colegas. Como mãe, também tem preocupação com a vida escolar de Richard Strobel, já que vivemos num mundo oralizado e escrito, teve a idéia de adaptar os contos infantis ensinados na escola.

Responda - Karin Strobel

1- Já aconteceu dentro do ambiente escolar, o Richard sofrer preconceitos dos colegas de classe ou dos professores?

R: Até agora não, o Richard é matriculado em uma creche particular pequena, onde tem somente 50 crianças de várias idades, ele foi aceito imediatamente pela comunidade escolar, a falta de informação a cerca da cultura surda e de sua língua, foi rapidamente resolvida com a distribuição do meu livro “As imagens do outro sobre a cultura surda” aos professores e diretora.

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2- Quando nós os pais, saímos com nossos filhos surdos e eles são discriminados por outras pessoas. Como devemos agir? 

R: Eu defendo o meu filho pedindo explicações pelas ações discriminatórias, e procuro informar a estas pessoas a respeito de pessoas surdas: de como são capazes e não deficientes como a sociedade os rotulam! 

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3- Sou professora de uma criança especial, não sou especialista na área e o que devo fazer para ajudar a mãe e a criança? 
R: Inicialmente, procurar pesquisar e informar-se a respeito da surdez, seu mundo, cultura surda, sua história, etc., informar aos colegas da classe da criança os procedimentos corretos para interagir com a criança surda, aconselhar a direção da escola que contrate um instrutor surdo, com a finalidade de ensinar Libras para toda a classe, para que todos possam se comunicar com a criança e aconselhar a mãe fazer o mesmo e acima de tudo: aceitar e acreditar na criança! 

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4- Sou interprete, percebi que você mudou a cor de cabelo, foi para ficar mais parecida com o Richard? 

R: Não, estou com o Richard já quase três anos e a mudança de cor de meu cabelo foi recente... Simplesmente enjoei da cor de meu cabelo e resolvi fazer uma mudança para uma formatura na qual fui paraninfa! 

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5- Quando o Richard crescer e quiser conhecer a sua mãe biológica. Qual será a sua reação normal, você o deixara conhecer sua família biológica? 

R: O Richard sabe que é adotado embora não tenha entendido bem, quando ele tiver mais idade, vou explicar melhor e não vejo nada demais, se ele quiser um dia conhecer a mãe biológica... Nada vai substituir a história de carinho e amor da mãe verdadeira (que sou eu)... Eu e Richard temos nossos ‘altos e baixos’ como qualquer família, no entanto temos um vínculo de confiança! 

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6- Como foi a questão de afinidade da sua família com o Richard e ele foi aceito pela sua família? 

R: No inicio a minha família ficou assustada, quando eu disse que iria adotar uma criança, preocuparam-se devido a diversos ‘tabus’ existentes a respeito das crianças adotadas, que elas seriam crianças problemáticas e revoltadas. Mas quando o Richard entrou na vida deles, conquistou imediatamente o amor de todos. A família aceita e ama Richard como um membro de família Strobel! 

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7- Como foi o processo de sua alfabetização? Você teve interprete? Como você foi avaliada?  Reprovou algum ano? 

R: para saber mais sobre mim, vocês podem ler as entrevistas feitas a mim pelos sites: 


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8- Cite algumas situações que a comunidade ouvinte te desestimulou como professora e profissional surda? 

R: Eu trabalhava em uma escola, em que valorizavam mais os professores ouvintes, que a dos surdos, por exemplo: eu, entre outros surdos, embora tivéssemos currículo-vitae melhor, nos delegavam serviços inferiores, porque não acreditavam que éramos capazes de dar aula. Hoje isto não acontece mais, a universidade me respeita com igualdade em relação aos outros profissionais ouvintes! 

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9- Com base de qual corrente filosófica se fala do processo de aprendizagem dos surdos? 

R: Uso a teoria de campos dos estudos culturais para explicar sobre as diferenças lingüístico-culturais de vários grupos menores, assim como grupos de índios, negros, surdos, etc. Sobre a aprendizagem/aquisição da linguagem, gosto de ler as teorias de vários autores, dentre eles, a Profª Drª Ronice Quadros, que escreve sobre a aquisição da linguagem das crianças surdas. 

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10- Tenho dificuldades em identificar muitas palavras no português, quero aprender como faço? 

R: Havia uma freira professora, na primeira série do curso primário que, sabendo da minha dificuldade com relação à língua portuguesa, dava atividades para os alunos ouvintes da turma, e sentava-me no seu colo e pacientemente me ensinava através de gestos e desenhos os símbolos da escrita. Aprendi muita coisa com ela e não me esqueço da solidariedade dela por mim. Desde muito nova tenho lutado por meus ideais, estudei em muitas escolas inclusivas e não me envergonho de dizer que reprovei várias vezes – não por preguiça e sim por dificuldades de adaptação à cultura ouvinte. Por exemplo: na minha fase de alfabetização em escola de ouvintes, a professora mostrava figuras de alface, avião e abacaxi e comparava-as com a letra ‘a’. Eu não entendia essas comparações, pois não encontrava a letra ‘a’ nas figuras e apenas via as imagens dos desenhos. Olhava, olhava e ficava confusa, porque na cultura ouvinte, nessas escolas, os professores ensinavam a língua portuguesa em associação aos sons. Outra situação semelhante: nos textos tínhamos de perceber as palavras oxítonas, paroxítonas, etc. Eu, surda, como vou perceber qual sílaba é mais forte se não as escuto? E, pior ainda, ter que separar as palavras em silabas? Também a professora e alunos faziam várias brincadeirinhas da cultura ouvinte do tipo telefone-sem-fio e isso me fazia sentir um “peixe fora d’água”! Devemos aprender a língua portuguesa como língua estrangeira e com metodologia na cultura surda, isto é, aprender o português visual e não sonoro!
Então, para você aprender a ler e escrever tem de praticar lendo jornais, revistas, livros, gibis... Quando mais você ler melhorará na sua escrita. Também nunca ter vergonha de perguntar para as pessoas os significados e de regras gramaticais... Pois eu até hoje ainda faço isto... É a nossa segunda língua! 

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11-   A sua família “mãe e pai” também sabem se comunicar em Libras? 

R: Infelizmente não, na época da minha infância isto era proibido e eu fui oralizada. Mas a minha mãe agora está aprendendo a Libras, com dificuldade por causa de reumatismo nas mãos, para se comunicar com o neto Richard. 

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12- Tem algum incentivo para adoção de crianças surdas? Tenho dois filhos adotivos ouvintes e penso também em adotar um surdo, para compartilhar a língua libras, oferecer amor e proteção, mas penso que este sonho está distante da minha realidade. Tem alguma orientação para pessoas que querem fazer à mesma atitude sua? 

R: Sabemos da realidade da adoção no Brasil, e quando se trata de uma criança surda, suas probabilidades de ser adotada diminuem, seja por preconceito ou por desconhecimento em se comunicar com esta criança. O procedimento é simples, igual ao de ouvintes. O mais difícil é encontrar crianças surdas parar serem adotadas (embora tenham muitas espalhadas nas diversas varas de infância e não avisam uma à outra). Quem quer adotar um surdo pode fazer o seguinte: ir ou ligar ás varas de infâncias de várias cidades para encontrá-lo, e seguir com o procedimento legal de adoção: documentação, entrevistas, visitas de assistente social etc. 

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13- O dicionário de Libras que você montou junto com seu filho. Vai mais tarde vendê-lo? 

R: Não posso usar as imagens do meu filho para fins lucrativos. Mas eu faço oficina oito horas de “meu primeiro dicionário em Libras”, onde eu ensino aos professores como montar um dicionário em Libras, de diferentes tipos. Podemos combinar um dia para eu ir até a sua cidade ensinar aos professores. 

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10h30m - Palestrante Jornalista (USP), Mestre e  Doutora em Ciência da Literaturara.(UFRJ), Pós Doutora em Cultura Contemporânea(UFRJ) e Gerente Editorial da Editora Arara Azul - Clélia Regina Ramos.

 
"A Família e os Surdos"  

Os assuntos abordados:

Todo nascimento permeia a normalidade - o bebe é perfeito. Depois de um ano dorme até mesmo nas festas, um anjo, maravilhoso. Levado ao pediatra, diz que algumas crianças falam tardiamente, desenvolvimento normal. Mas pelo sim, pelo não melhor levar ao fonoaudiólogo que diagnostica surdez profunda (1986).

Constatação de que 90% a 95% das crianças surdas são filhas de pais ouvintes. E existem dois modelos de atendimentos a pessoa surda: um clínico - que vê o surdo como uma pessoa doente que pode ser curada e outro modelo cultural da surdez que desde 1960, com a comprovação científica que as línguas de sinais são línguas naturais.

Rotina do seu filho, natação para melhorar a respiração, fonoaudióloga para treinar a fala, adaptações de aparelhos auditivos, e ainda não conhecia a libras, mas essas atividades desenvolvidas até os 06 anos de idade, fez com que seu filho minimamente tivesse uma estrutura de linguagem pronta.

Descobriu a libras que possibilitou ao filho e a mãe uma comunicação mais eficiente. O que mostra a palestrante de que adianta apenas aprender uma língua, faz-se necessário conhecer a cultura que a envolve. “O SURDO É UM ESTRANGEIRO EM SUA PRÓPRIA CASA.” Carlos Sanchez.

Escola de ouvintes: a “inclusão” NUNCA estará pronta e à espera do surdo. Cada surdo é diferente, cada grupo é diferente, a sociedade muda.

Necessidade dos surdos se envolverem em suas comunidades.

Oportunizar locais de troca de experiências e vivências, como esse evento que está nos proporcionando uma mudança de postura, não basta ser mãe tem que se envolver com seu filho, ensiná-lo a lutar e implantar os seus direitos.

11h30 - Encerramento

Data: 15 de Abril  - 6ª feira - Tarde


13h - Apresentação Cultural CAS/SED/MS

Teatro apresentado por profissionais do CAS

13h15m – mesa  Família Bilíngue:
  • Natany Rebeca Vilhalva da Silva- MS com o tema: CODA – filhos Ouvintes de Pais Surdos. Acadêmica de Enfermagem e Interprete de Libras. Filha de mãe surda esclarece sobre os embaraços e as satisfações de ser filha de surda. Lembra que na infância, assim como filhos de ouvintes já que foram esquecidos na escola, ela também já foi.  No aspecto comunicativo sempre foi feito através de libras, desde a infância, e compreendeu, mesmo sem aceitar direito que já era interprete quando atendia a telefonemas que precisavam ser sinalizados para sua mãe. Mais tarde, viu que não tinha jeito de correr dessa tarefa, já que não tinha irmãos, não tinha com quem compartilhar ou dividir essa tarefa. Desde cedo a acompanhar a mãe em médicos, viagens essa por sinal uma das melhores partes, pois me proporcionou conhecer lugares e pessoas diferentes. Como sua mãe é engajada no movimento surdo sempre participei dos movimentos políticos e quando sua mãe passou no mestrado em Santa Catarina teve a vida totalmente mudada. Mudou de escola, de amigos......essa  foi uma das dificuldades, mas que logo foi superada.
  • Claudia Ester Soares Candia com o tema: A Educação Bilingue no Contexto Familiar. Pedagoga (UNAES), Especialista em Educação Inclusiva (EGEA), e Acadêmica do Curso Bacharelado em Letras/Libras. Irmã de surdo, pertence a uma família de 11 irmãos ouvintes. Coloca a importância do papel da família na formação de caráter, valores e personalidade das pessoas e isso não é diferente com surdos. Dentro de uma família de ouvintes em que um dos seus membros é surdo, existe a necessidade de um deles aprender a Libras, caso contrário esse surdo irá procurar informações básicas, como e porque seu corpo esta mudando, com alguém que saiba Libras e esse alguém poderá ser ouvinte ou surdo. E todas as opiniões que irá receber vão depender da formação, do conhecimento de mundo e das experiências dessa pessoa, tornando-a corretas ou não.
  • Vanessa Trovato Silva com o tema: A importância da Comunicação dos pais com o filho surdo. Pós-graduada em Docência em Libras e Interpretação. Intérprete de Libras e Professora na Sala Multifuncional com alunos de baixa visão e surdocegueira em Nova Andradina – MS. Mãe de surdo que ao descobrir que seu filho era surdo, teve um período de não aceitação dessa situação, já que em sua família não existia histórico de surdez. Seu filho passou por todos os passos de uma mãe zelosa, pois era seu primeiro filho. Explica que no meio de médicos pediatras que não conseguem diagnosticar a surdez, pois ainda acreditam que o atraso de linguagem nas crianças seja normal. Uma avaliação tardia faz com que mães demorem a procurar recursos para auxiliar seu filho. Quando pequeno, seu filho era nervoso, arredio, até conhecer a língua de sinais. Num primeiro momento, como mãe não quis aceitar a Libras, mas aos poucos percebeu a importância dessa língua na vida de seu filho, que está atualmente com 10 anos, pois é através dela (Libras) que ele aprende conceitos e vive novas experiências. Atualmente seu filho surdo convive com dois outros irmãos ouvintes (5 e 7 anos) e com o pai, todos ainda não sabem libras. A mãe é a única mediadora das comunicações familiares.
  • Maria Iolanda Guerra com o tema: De Mãe a Guia-Intéprete. É mãe de surdo. Seu filho nasceu surdo, mas não tinha problemas visuais. Na infância adquiriu glaucoma. Faz uso de prótese em um dos olhos. Foi aluno do CEADA, passando na Educação Infantil ao Ensino Fundamental. Atualmente está no ensino comum com apoio de guia intérprete. Tem como sonho fazer faculdade de cinema, mas como as instituições de ensino superior em Campo Grande não oferecem esse curso, irá frequentar Artes, pois também gosta de desenhar. Apresentou um vídeo com experiências de convivência no lar. Seu filho foi pela 1ª vez, aos 21 anos, participar de um congresso de surdocegueira no estado de Sergipe no ano de 2010, sem a mãe.
  • Andréa Aparecida Pires de Macedo com o tema: Surdez e Paralisia Cerebral: desafios e possibilidades. Acadêmica de Letras e cursando Pós-Graduanda em Educação Especial e Diversidades.  Mãe de surda com paralisia cerebral, atualmente matriculada na escola CEADA. Diz que teve uma gestação normal, mas após o nascimento de sua filha, percebeu que havia algo de diferente em seu corpo, pois aos 3 meses ainda não fazia coisas inerentes a essa idade, como rolar. Aos 4 meses foi constatado a paralisia cerebral e depois de alguns exames realizados também surdez. Passando por  instituições como APAE e PESTALLOZI que tratavam apenas da paralisia. Hoje esta no CEADA, aprendendo a Libras e seu desenvolvimento é visível. Observa-se melhoras em todas as áreas da sua vida. 
15h30m - Palestrante Rimar Ramalho Segala com o tema: A importância da Comunicação na Família. Surdo, Mestre em Tradução, Ator e Professor de Libras.  Todos em sua família são surdos, por isso não tem experiências de convivência de famílias ouvintes. Apenas um sobrinho é ouvinte, mas é usuário de libras desde o seu nascimento. Quando criança acompanhava seu pai em reuniões com ouvintes não entendia porque as pessoas articulavam a boca e não usam as mãos como era de costume em sua casa. Achava tudo isso muito estranho e diferente. No período de escolaridade, no início, não tinha muito entrosamento com seus colegas, pois não sabiam como se comunicar. Hoje com as leis elaboradas para acessibilidade, facilitou a vida do surdo, com direito a intérprete, a uma escola bilíngüe, mesmo que nem sempre tenham esses direitos respeitados. A vida do surdo, está melhor em relação ao passado. Lembrou que toda educação do surdo perpassa por processos visuais que se iniciam dentro de casa e o seguem para a vida toda ,inclusive na escola. Escola esta que diz ser inclusiva, mas ainda não está preparada para receber o surdo. Ter um intérprete é importante, mas não é só isso. Precisa-se, também, de mecanismos visuais no sucesso de aquisição de conhecimento. 
 
16h30m - Palestrante Felipe Frits Braga - Procurador da República do Ministério Público Federal - MS com o tema: “O Ministério Público e a Defesa dos Direitos da Pessoa Surda”, O Ministério Público é uma instituição aberta a sociedade, para receber reclamações, denúncias de desrespeito aos direitos do cidadão em diversas situações, inclusive na questão de falta de acessibilidade. São prioridades do ministério os processos que envolvem desrespeito aos direitos das pessoas com deficiências, os quais são inspecionados pelo Conselho Nacional do Ministério Público Federal.
As denuncias ou reclamações podem ser realizadas de diferentes formas: por escrito, pela internet ou presencial. A tramitação pode ser judicial, que é um processo demorado, formal e quem resolve é o Magistrado, porém a maioria das tramitações é extrajudicial, onde nesses casos, as recomendações ao denunciado são por escrito. Fez um convite aos presentes: para que se envolvam na defesa dos direitos do cidadão, denunciando, procurando o Ministério para esclarecimentos bem como participando de eventos iguais a esse proporcionado pela APM do CEADA. Ressaltou que são poucos os processos envolvendo desrespeito ao Surdo, destacou que a procura via Ministério foram expressivas quanto ao interprete no ensino superior, entretanto não foi possível tirar nenhuma medida concreta, haja vista os denunciantes não levarem adiante suas queixas.

Alertou para questão de concursos públicos para que sejam elaborados exames para verificar se o cargo pretendido tem compatibilidade com o deficiente. Encerrou sua palestra afirmando que não há norma de acessibilidade que consiga abarcar a extensão das situações diferenciadas que os deficientes vivenciam, há necessidade dos mesmos serem ativos e participar das políticas públicas com sugestões na sua elaboração. 


17h30m - "Show com Rimar Ramalho Segala"

18h - Encerramento


Colaboradores do Evento da Família Bilíngue de MS